Lídia se revelou insatisfeita com os estudos regulares realizados em internatos longe de casa, mas desde cedo manifestou interesse no aprendizado das expressões artísticas. Em 1928 vai para o Rio de Janeiro estudar pintura com Henrique Bernardelli, conhece Ismael Nery e Murilo Mendes com os quais mantem contato e afinidades modernistas.

Como mulher atravessou várias dificuldades para continuar sua formação em arte. Artista significativa para o modernismo brasileiro e muito especial para MS, nos anos quarenta criou um museu de sua obra, na própria casa, que abria a visitação com hora marcada, inventou cartões com seu retrato, desenvolveu toda uma estética auto referencial muito inusitada para seu tempo.

Lídia Baís é personagem integrante do imaginário cultural da cidade de Campo Grande, a maioria dos habitantes conhece alguma história envolvendo seu nome, pela forma peculiar de viver dentro de uma sociedade cheia de convenções, Lídia constrói sua própria vida, anula um casamento que lhe fora imposto, morou dentro das suas regras e crenças com independência nada usual, inventou universos e personagens como na emblemática pintura Micróbio da Fuzarca, nessa pintura podemos ver um esqueleto dançante de cueca com uma longa trança, simbolizando sofrimento assim como comentário sobre a androginia.

Lídia Baís foi uma cidadã reveladora da presença feminina na sociedade.

Profa.Dra.Constança Lucas
Artes Visuais - FAALC - UFMS